29.12.10

you and me

A tua presença cobriu-me os olhos.
 Detectei 
o teu movimento, com a certeza que não partirias, que ficarias ali ao meu lado. Estavas rouco de tanto chamares por mim, e a mim doiam-me os ouvidos de tanto te ouvir chamar. Pediste-me então, que te justificasse a partida num tom grave, apressado. Nos teus olhos não consegui olhar, com medo que ficassem presos aos meus.Os teus olhos estavam a sorrir, enquanto no canto de um dos meus, uma lágrima se preparava para escorrer pelo rosto. O teu jeito de "segue em frente" sempre me deixou sem saber o que falar. Não tinha a certeza se o dizia. Não queria acreditar que todo o meu querer te envolvesse em mim, tentei abrir a porta do quarto mas tu trancaste-a. Voltei a correr para os teus braços, já chorando, peguei na tua face e encostei a tua face à minha, e num tom baixo, em segredo, finalmente me disses-te "eu amo-te". Senti fortemente a força com que me agarravas, num toque delicado de mãos, beijaste-me como dantes (talvez o nosso último). Afastaste-te de mim, dando dois passos para trás, destrancas-te a porta e disseste-me: "agora tenho de ir." Oscilei numa lágrima e num sorriso. Percebi que tinha sido a nossa despedida, percebi que dali para a frente, tinha que ser feliz... mas feliz, sem ti.

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